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E Assim Se Passou Mais Um Ano – EPs 2017

E assim se passou mais um ano: 2017 já tinha os seus dias contados. Mas não desanimemos!… que o ano transato foi, sem sombra de dúvida, um ano para mais tarde recordar: vários foram os artistas, projetos e bandas que, tendo feito do atual panorama da alternativa portuguesa uma autêntica «primavera», desabrocharam, dando a conhecer aos ouvidos portugueses novas sonoridades. Por isso, reconheçamos que agora é altura de refletir, recordar e de aproveitar, reouvindo, os que para a Just Musically Speaking foram (e continuam a ser, leia-se) «alguns» dos EP’s que melhor foram acolhidos pelo público português no ano de 2017.

Desde as progressivas viagens marítimas dos Zarco até à sensibilidade vocal de Lince muitos são os EP’s 100% nacionais que cumpriram efetivamente com a sua promessa e começaram a dar «que falar» no ano transato. Se Júlio César, em vez de imperador, tivesse sido um amante de música, neste contexto, também diria alea iacta est – «os dados estão lançados».  Assim, sem mais demoras, apresento-vos cinco dos vários EP’lusos que fizeram com que os nossos auriculares arranjassem um affair junto das nossas bibliotecas musicais:

  • Zarco – Zarcotráfico
  • Cassete Pirata – Cassete Pirata
  • Planeta Tundra – Vigantol
  • Lince – Drops
  • NOOJ – Plástico às Vezes É Bacano

Zarco – Zarcotráfico

2017 começou definitivamente da melhor forma visto que a 23 de janeiro o EP «Zarcotráfico» dos ZARCO é lançado nas plataformas online. Sendo composto por seis faixas que obedecem a padrões manifestamente progressivos, este EP transcende-nos para uma autêntica viagem pelos oceanos da musicalidade dos cinco músicos que formam a mesma banda – desse «oceano», surge a referência à histórica figura dos Descobrimentos Portugueses, João Gonçalves Zarco, que ficou conhecido na história por ter achado o arquipélago da Madeira. O próprio grupo, na sua página oficial de Facebook, explica o porquê dessa referência: «ZARCO partiu para o Atlântico em busca de riquezas para o rei. Entre a sua tripulação, estavam 5 marialvas que se riam de tudo o que acontecia sem nenhum motivo. Quando Zarco deu com o arquipélago, os 5 companheiros foram os escolhidos para apalpar terreno. Depararam-se com um portal spazutempu, viajaram até à Lisboa do século XXI e formaram um conjunto musical com o nome do seu capitão. No fundo, estes cinco músicos/marinheiros, já perdidos no tempo e no espaço, formaram uma banda em honra do seu capitão, Zarco, e prometem continuar a narrar as suas aventuras nos mares, nos cabos e nos oceanos; para tal, vão com certeza continuar a apoiar-se nos fortes momentos de percussão e cordas que tão bem caracterizaram este primeiro projeto.

Cassete Pirata – Cassete Pirata

Este primeiro projeto dos Cassete Pirata apresentou-se como uma lufada de ar fresco para a alternativa rock da música portuguesa: não é todos os dias que nos deparamos com uma banda que, em quatro músicas, consegue conjugar elementos «rock» com outros tantos de cariz «pop», apimentado, por muitas vezes, a sonoridade final com toques «pscidalécicos» pronlongados. Apesar de ser constituído apenas pelas já referidas quatro canções, este EP não sabe a pouco; enche-nos os ouvidos de tão rico em pormenores que se mostra. Mas isso também não nos espanta: a produção deste EP foi conduzida pela mão e mente criativa de Benjamim.

Planeta Tundra – Vigantol

Ora aqui está um projeto, no mínimo, original no panorama português. Tiago Martins e Ricardo, que juntos formam o projeto Planeta Tundra, conseguiram criar um projeto distinto e diferente. Os meus ouvidos – que levaram com o EP em loop – bem tentaram agrupar este arranjo musical junto de categorias predefinidas (coloquei-o junto ao psicadelismo dos «meninos de Alvalade» (Capitão Fausto, acima de tudo!)… mas não conseguiram: Planeta Tundra faz parte de um ecosissitema musical diferente. Fazem-me, isso sim, lembrar a vertente pop psicadélica de Mild High Club (ou até momentos «mais light» de King Gizzard and the Lizzard Wizzard) – e acho que não é arriscado pensá-lo, nem afirmá-lo. Mas, bem, o importante mesmo é ouvir este maravilhoso EP e ficar acordado todas as noites à espera dos próximos trabalhos desta dupla, que deverão ser igualmente extremamente «agradáveis».

NOOJ – PLÁSTICO ÀS VEZES È BACANO

Mais uma banda rock proveniente da Cidade Capital, Lisboa. Mas esta banda não nos apresenta  um rock «normal», «comum»; dão-nos a conhecer um rock «cru», grotesco e sincero; é, por isso, um rock extremamente viciante (como ditam os cânones do género). Após audição atenta do EP, fica-se com a ideia de que este perfume «lo-fi»/«rock de garagem» post-punk é propositado na medida em que a sinceridade grotesca torna-se mais notória, presente e gritante. Este álbum está longe de se assemelhar metaforicamente a um arranjo floral de jardim cuidado e regado… e ainda bem que assim é: a presumível garganta arranhada de Guilherme Almeida (vocalista e guitarrista) só deverá saber coexistir deste modo com a pesada e larga bateria que o acompanha a cada música.

LINCE – DROPS

E, por fim, não nos poderíamos esquecer da sensibilidade musical de Lince. O mundo da música já não é uma realidade «nova» para a vimanarense Ana Sofia Ribeiro – que neste universo musical responde pelo nome artístico «Lince»: ela já havia sido anteriormente teclista nos WE TRUST e nos There Must Be A Place. Os temas explorados em Drops são sensíveis, contudo a voz de Lince é mais. Daí se constroí um casamento perfeito, que na sua base tem notas de piano, umas vezes mais tristes, outras vezes mais melancólicas e nostálgicas. Lince é sem sombra de dúvida um nome a manter debaixo de olho e dentro do ouvido.

 

 

Cover Photography by Alessandro Fabbrini

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