Lose Yourself Here

Borregos

Deve ser mesmo lixado ser músico em Portugal.

Muitos passam uma vida inteira sem nunca conseguirem sequer viver desta arte, enquanto olham pela janela e pensam na Taylor Swift e em quanto dinheiro ela varre cada vez que pisa um palco devido à atitude desenfreada de pitas histéricas que necessitam de estar ali a verem aquilo, que nunca vão ser para continuarem a viver.

Esta realidade não é única ao nosso país. Muitos australianos, espanhóis e americanos indignados com esta visibilidade absurda que tem a música comercial merdosa de hoje em dia. Também não vale muito a pena comparar a máquina de promoção de um artista americano à de um Português. Mas fico com a cabeça toda partida quando vejo que até neste canto da Europa, o comercial está a ganhar e de repente aparecem uns bonecos de plasticina tipo AGIR, D.A.M.A e outros que tais, que passam à frente da fila e se põe à sombra dos seus hits de rádio de merda que hoje dão na triste RFM.

Novo vilão no panorama.

Este homem anda a gozar com isto. Com música com temas “bué profundos sobre as cenas que eu gosto” nos quais revela “Adoro Bolos” (lembram-se do Borgore com o seu “Bitches Love Cake”?) ou expõe a Celulite da Ana Malhoa entre uns ruídos ensurdecedores que estão entre o martelo pneumático rouco e um porco a ser depilado. Não tenho nada contra o rapaz. Agora o sofrimento constante com que se exprime (“canta”) torna as pérolas líricas quase imperceptíveis! E fá-lo em todas as suas músicas pois “só assim é que a minha voz soa bem”. Irritante. E o que mais me irrita é a imprensa que deu todo o destaque do Mundo a esta rapaz baseado em nada. Essa que se diz a imprensa musical de Portugal mas que escreve como se de um Nobel da literatura se tratasse. ACORDEM! Vocês estão a escrever sobre música. Ou gostam ou não. Não precisam de estar ali a arranjar vinte e dois floreados maricas para dizer bem ou mal de uma música. Ou para contar a história por detrás do artista. Não são todos! Ainda há aí umas lendas a escrever sobre música! Contam-se é pelos dedos de uma mão…

Este texto é contra a música comercial. Este texto é contra a música do Osório da qual não gosto mesmo nada. Este texto serve para chocar e para mandar muita gente para um certo sítio. Principalmente todos os jornalistas que conseguiram fazer um artigo sobre este artista sempre aprumando a sua vanguarda e o seu “Ser Diferente” e nunca os tiveram no sítio para dizer se gostavam ou não. Viva a diferença? Sim, desde que seja para melhor.

Deixo o meu abraço ao Tiago. Com este texto apenas quero dizer que não me parece que tenha sido pela música que lá chegaste agora mas pela personagem, pela boa assessoria de imprensa e por saberes deslumbrar esta última de forma fascinante.

O exemplo dado pelo Observador de como não percebem nada disto:

“O mundo da música alternativa em Portugal encontra-se em mutação. Artistas mais reconhecidos, como B Fachada, Samuel Úria ou Benjamim já estavam a contar com a companhia de nomes como Luís Severo ou Éme, artistas que até há pouco tempo vinham sempre associados à imagem da “jovem promessa”. Hoje assiste-se a uma renovação onde artistas como este Conan Osiris (ou os Mighty Sands, Sunflowers, Alek Rein, entre muitos outros) começam a afirma a sua voz, a sua imagem. As referências mudam e começa a sentir-se cada vez mais a influência dos anos 2000, da universalização da Internet e da globalização. A música de Conan é assim. Um reflexo de tempos não muito distantes que já tiveram o seu momento de “incubação” e que agora se revelam.”

Desde quando é que o Severo é jovem e uma promessa? Afirmado, e ele sim com um cantar bastante Português, idolatrado por todas as idades e não só por jornalistas amantes do diferente. E sabem a melhor? Este rapaz que tanto critiquei como ajudei, porque neste meio não há má publicidade, se apelida de “Normal” e canta “Musica, Normal”.

 

 

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