Lose Yourself Here

Reis da República – Crónica de Um Golpe de Estado

Ao que soam? Pois apesar de tocarem todos os instrumentos a que estamos acostumados, da bateria aos teclados, não soam a nada do que já ouviu. Não os sei encaixar em género nenhum, e eles, pelo que sei, também não. Liberdade. Enquanto banda representam o “ideal”. Cinco rapazes liderados por uma rapariga de voz simples e perfumada.

Apresentaram-se em 2015 com um EP composto por seis canções de nome “EP”. Relembro “Flores e Festas” onde demonstram um lado mais leve e criam um ambiente mais concentrado nos refrões. Contrastando com “L Enfant Sauvage” onde dão uma bonita tareia de instrumental. Uma banda onde cada membro tem uma personalidade vincada tanto pessoal como instrumentalmente. Essa era a certeza que tínhamos.

Já no final de 2016, lançam outra amostra de personalidade. “Samurai” combina uma voz mais adulta e com uns graves invejáveis de Madalena Tamen, e uma química indescritível da banda que soa também muito mais madura. Nos ensaios reina a harmonia sempre com uma missão bonita: fazer música difícil. Conheço poucas bandas com a humildade deles e por isso sei que o dizem sem qualquer pretensão maior do que um produto final com substância que no fim do dia os deixe orgulhosos e que reproduza da melhor forma o bonito jam orgânico que desliza nos ensaios. No ano passado, em Setembro, tocaram no nosso primeiro evento. Convidados de honra, porque assim o merecem, foram tocar nas escadas do Palácio Chiado numa bonita tarde de Sábado. Cenário ideal para os Reis, que apesar de viverem numa República, tem argumentos para um Golpe de Estado a qualquer momento. E é isso que estão prestes a provar.

Assim que terminaram o EP em 2015, uma ideia surgiu e desde então tem vindo a ser trabalhada e refinada em laboratório com algumas experiências ao vivo como foi o caso do nosso evento. Esta ideia é bicéfala, sendo uma das cabeças o “Sidónio” e outra “Fábula”. E esta última dará o nome ao trabalho que está para vir. Um conjunto de dez contos  que compilam numa só História que parte dessas duas ideias musicais que acabam por ser duas das faixas do EP. Aquilo que ouvimos é realmente algo tão bonito e simples como La Fontaine com a mesma admiração que o lia em pequeno. Porque o que interessa é quando fechamos os olhos viajarmos para o Universo onde as Fábulas são histórias sobre nós humanos, animais. Um Universo onde a complexidade soa simples e os Reis são idolatrados em Repúblicas. Eu quero viver nesse Mundo desde o primeiro dia que o ouvi, um Mundo fabuloso de “Fábulas”.

Fotografias tirada do nosso evento a 23 de Setembro de 2017 no Palácio Chiado no âmbito do Open House Lisboa

Já neste Domingo vão poder ouvir o primeiro Single deste novo trabalho que terá o lançamento final em Setembro, aquando todos ouviram falar deles pelos meios mainstream. Este foi um passo importante para a banda que finalmente vê o seu sonho concretizado. No entanto parar não é com eles e já pensam noutra linha musical diferente para o próximo álbum porque a evolução tem destas coisas. E nós aqui ficamos, sentados e quietos com muita vontade a assistir a todo e qualquer decretos Real que nos queiram oferecer. De ressalvar a recente união da banda ao grupo de Alvalade, Cuca Monga, algo que dará as ferramentas necessárias para este Golpe de Estado anunciado.

 

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