Lose Yourself Here

Fazendo Amor Com A Máquina

Voltamos a falar-vos de Azul de Tróia, a editora Lisboeta que primeiramente lançou os “Ciclo Preparatório” e fez-nos despertar atenção recentemente com os “Rua Direita”, que nos vem mostrar uma faceta musical mais obscura do que nos habituaram fazendo lembrar “Sensible Soccers” que também estiveram envolvidos com Pedro Tróia e Diogo Almeida, os fundadores, na compilação “Estou Bem Aqui Portugal” titulo que confirmava esta onda geral e grandemente apreciada de Orgulho Tuga.

“Máquina del Amor” é um projecto que de tudo tem de complexo, assim o explica a banda que começa por dizer que ambas as máquinas e o amor tem o seu nível de complexidade elevado. Tanto ou mais como a descrição que expõe no BandCamp que iremos citando ao longo do artigo como homenagem ao trabalho de Márcio Alfama de Freitas.*

 

Banda composta por três membros dos “Smix Smox Smux”, uma banda claramente demasiado avançada para o nossos tempos e dois membros de “Peixe:Avião” somam ao todo um quarteto de luxo. Sim, quarteto visto que José Figueiredo trabalhou em ambas as bandas anteriormente tendo sido o provável ponto de ligação. 

“Quatro almas musicais uniram visões e vontades, sedes e prazeres, e decidiram exorcizar memórias e géneros. Ao sabor de melodias ecoantes, promovem uma experiência inclusiva, penetrante, futurística e teletransportante” *

Teletransportante é definitivamente a palavra mais adequada para descrever a experiência que nos é proposta neste primeiro trabalho homónimo. Uma sensibilidade musical envolvida com uma capacidade de sonhar surrealista leva-nos a querer que deixámos de habitar o espaço onde nos encontramos assim que inevitavelmente fechamos os olhos com os primeiros segundos de “9 de Maio Parte 1”, um nome que deixa tudo nu à imaginação que se espera fértil e pronta a ser ainda mais fertilizada pela dos artistas. E ao fechar os olhos aceita-se a viagem por eles proposta através de uma metamorfose.

“Há uma sensação de descoberta. Há a Revelação. Um convite direto e luciferiano, num ritmo frenético, pungente e enraivecido. A bateria, os teclados, as guitarras estridentes, o baixo rugoso e cíclico liberta-nos, transforma-nos. E aceitamos. Desejamos essa metamorfose”*

Pouco há realmente de mais transformador do que ouvir de uma ponta a outra este álbum que nos faz viajar por dimensões nunca antes conhecidas de forma tão acolhedora. O sentimento de viajar no espaço numa nave espacial a levitar sem gravidade torna-se possível com esta viagem que tanto tem de espacial como de sexual unindo perfeitamente a máquina ao homem, através do amor. Um pensamento que retive ao ouvir pela primeira vez “Bounce Embora Parte II”.

Todos os álbuns devem ser respeitados e ouvidos na ordem na qual os artista os coloca, de forma a tentar entender de forma mais pessoal o criador. Mas muitas vezes não há tempo suficiente na vida para a quantidade de música. Apesar disso, este é um álbum que tem de ser respeitado para ser compreendido. Uma viagem de 45 minutos que enriquece mais o cérebro do que qualquer puzzle de Sudoku. “Food For Thought” ou apenas uma musa inspiradora, a apresentação dos Máquina del Amor não nos podia ter deixado mais curiosos para sentir esta força ao vivo e ansiosos pelo próximo trabalho.

 

*BandCamp Description

%d bloggers like this: