Lose Yourself Here

FUGLY – Millennial Shit

Depois da longa espera de dois anos aquando o tão aclamado EP “Morning After” foi lançado como primeiro trabalho, os Fugly estão de volta e foram dos primeiros a abrir 2018 com um novo e primeiríssmo álbum. Com estes trabalhos pretendem manter viva a tradição do noise e do garage rock sempre tendo em mente que a Ressaca precisa de uma cura, e nada melhor que umas boas malhas de Rock & Roll para a resolver. 

O projeto começou quando Pedro Feio, a.k.a Jimmy, decidiu deixar a mesa de técnico de som que ocupava nos “Lazy Faithful” e pegar no baterista Gil Costa para lançar aquela que seria a sua carreira enquanto frontman de uma banda. Para além deste arrancou também Rafael Silver e Nuno Loureiro e assim findou o projeto de criação da banda. Depois disto, com as já algumas músicas que tinha acumuladas gravou o EP “Morning After” que em dois anos os levou ao Mexefest, Indie Music Fest e até ao Sumol Summer Fest imagine-se. Agora preparam as malas para voar em Março para uma Tour Europeia e decerto preencher muitos palcos nacionais de festivais no verão, com este novo trabalho de nome “Millennial Shit”. Mas afinal de contas, o que são para os Fugly os “Millennials” e de que forma são relevantes o suficiente para um álbum? A banda responde:

“Os millennials são a Geração Y, os jovens nascidos entre os anos 80 e os anos 90, época
que culminou na maior taxa de nascimentos per capita. São a voz do emprego precário,
dos estágios intermináveis, da abstenção política, dos direitos dos animais, do
vegetarianismo, da erradicação dos estigmas populares, da preguiça, do aborrecimento,
da legalização da marijuana, dos smartphones, da falta de emoção e capacidades sociais,
da depressão antecipada, do controlo hormonal e do capitalismo forçado.
Com este mote, o álbum gira à volta do romance jovem, das noites loucas e
espalhafatosas em que tudo de mau e bom acontece. O arrependimento causado por um
dia seguinte cheio de perguntas sem resposta e todo o existencialismo associado.”

by Fugly

Quem nunca? Aquele acordar enevoado em que a dor de cabeça a torna mais pesada do que alguma vez foi. O silêncio torna-se constrangedor quando não sufocante e nada melhor que o bom Noise-Rock que aparece compilado neste álbum lançado pela editora independente “O Cão da Garagem”. O trabalho começa com o “power” no máximo e com marca de “Explicit” para a linguagem utilizada, na primeira metade do mesmo ( cinco em dez músicas). “Faz as coisas o mais simples possível mas não mais simples que isso” é uma frase bem conhecida de Einstein e não há muitos álbuns onde esta simplicidade e eficiência musical seja tão patente como neste. “Hit A Wall” é a primeira e aconselho a baixar o volume para que não haja nenhuma excrementação inesperada devido aos altíssimos níveis de ruído que abrem o trabalho! E que belo ruído que não deixa ninguém indiferente. Este mantém-se em “Ciao You Are Dead” e obviamente em “Millennial Shit” fazendo pensar que nesta primeira metade do álbum a confusão, loucura e bebedeira típicas das horas entre o acordar e o deitar num dia típico de Rock são a premissa, nas quais como dito acima “tudo de mau e bom acontece”. É já mais para o fim da noite que começamos a olhar para os sobreviventes e decidir quem será o nosso companheiro/a de cama. “Take You Home Tonight” é das que mais faz lembrar “Morning After” e tem sido das que mais toco em replay sempre com o mesmo sorriso de quem já não ouvia nada tão simples e cru à demasiado tempo a ser feito por Tugas! A noite acaba com “Yey”, o momento em que finalmente chegas a casa e já não sabes se queres dormir ou continuar a farra até não dar mais já c0m medo da ressaca do dia seguinte.

A meio da noite, com os milhares de vezes que se acorda, entre sexo, vómitos e mijadelas, entramos num “Delirium” lindamente preenchido como tinha de ser: instrumentalmente. É no meio de tal paranóia que desistimos de dormir e temos de ir apanhar ar para o “Rooftop”. E que lufada de ar fresco, com mais Pop que noise à misturada, que entramos na parte final da noite que já é quase o dia seguinte. O momento relfetivo do álbum e da noite passa-se mesmo quando já conseguimos assentar tanto o estômago como as emoções do dia anterior mas nem a ressaca nem as más decisões deixam que haja paz “Inside My Head”. A puta da loucura, como se dizia antigamente, voltou aos palcos assim que os Fugly decidirem rebentar esta em qualquer um que pisem. Já com “The Sun”, e muita iluminação mental depois, o dia prepara-se para recomeçar e nós também! A primeira cerveja é a que sabe melhor visto que ainda consegue arrancar os restos da noite passada e dar-nos a vida que necessitamos novamente para mais uma noite louca. O disco acaba com incerteza em “XXXX”, uma música que ficou sem nome, talvez porque só sabemos como corre a noite depois de esta acabar, e o ciclo é muito vicioso.

E quem ama Rock ama este ciclo. E quem ama este ciclo vai amar este disco. 

 

 

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