Lose Yourself Here

Ganso – Uma Banda de Malucos

Musicbox, casa cheia, copo na mão. Entram uns gajos estranhos com quimonos vestidos. São os Ganso. Tocam as suas músicas psicadélicas. Voz roca, solos de teclado, moche, charro, dança de olhos fechados, cantamos os singles. Copo acabado. Casa.

-“O concerto foi porreiro, noite louca essa” – … – Déjà vu ?!

Será que esta que os Ganso se encaixam nesta “Era Psicadélica”? Voltando ao início.

Musicbox, casa cheia, copo na mão. Seres humanos com desenhos animados no ecrã ( “Who Framed Rogger Rabbit”), gajos de quimono no palco. Voz roca, solos de teclado, moche, charro, dança de olhos fechados, singles, copo acabado. Casa?

 

 

Não! Não se pode ir simplesmente para casa depois de ver miúdos com tanta identidade a tornarem-se homens desta forma, num primeiro álbum. A apresentarem este mesmo ao vivo, de casa cheia, descalços, cara pintada e a beber Desperados (quem se lembrou disto?). Correu tudo demasiado bem e não se ouviu só mais uma banda psicadélica. Este concerto foi uma Utopia Psicadélica .

Há melodias para todos, solos para todos, letras que balançam da sátira ao melancólico. De português, fica a sensação de que fogem ao tradicionalmente tocado mas não havia Português mais típico do que o desta noite no Cais.

Fico precisamente com a ideia de que os Ganso seguem a sua “estrada” porque neles ninguém manda, e é isso que falta na música actual, principalmente na música portuguesa, IDENTIDADE. De facto, acredito, que quando se é artista, de alguma forma se encontrará forma de se exprimir, os Ganso encontraram a deles, e que bem o fazem. Mas será que os Ganso têm esta Identidade por ter o seu estilo bem definido ou é a falta dele que os torna tão carismáticos? Será que criaram o seu?

Estas perguntas sou obrigado a deixar no ar e cada um tira as suas conclusões. Não quero percorrer o caminho da clássica cobertura de concerto, falar do que mudou do passado para o presente de Ganso. Com a fácil acessibilidade que há hoje tanto à musica gravada como à musica  ao vivo em Portugal, é um pecado daqueles muito sérios, não sair de casa e ir ouvir o que de melhor há para ouvir em Portugal.

O concerto foi há quase dois meses, é verdade e, de facto, poderíamos ter sido normais e dito logo alguma coisa, no entanto quisemos conhecer um bocadinho melhor os Ganso e fizemos-lhes umas perguntas que eles responderam, a seu tempo também, com um sentido de humor simples mas eficaz, tal e qual como as suas letras.

 

Grandes diferenças do passado para agora (novo álbum )? 

Contámos com um novo membro, um equídeo com um grande talento para a percussão que trará uns twists picantes para os nossos futuros trabalhos.

Influências? Génios, maiores responsáveis? Não querem revelar? 

Fomos buscar um bocado daqui e dali. Um pouco de passado e de presente sem descriminar ninguém. Mencionar nomes não é muito necessário, damos liberdade ao ouvinte de fazer as associações que bem desejar.

Algum estimulante na fase de construção?

Pizzas frescas do Continente foram sem dúvida um estimulante poderoso na fase de construção.

Digam-nos, no quê que se destacam em relação a toda a cena portuguesa que anda aí?

Provavelmente a postura relaxada e brincalhona das nossas músicas. Temos um bom equilíbrio geral entre diversão e seriedade.

Mudanças no futuro?

Vamos tentar cortar um bocado nas pizzas frescas do Continente. Aquilo não é muito nutritivo.

Quem é o Brad Pintas?

O Brad Pintas é uma daquelas criatura míticas que ninguém sabe bem se existe ou não. Há quem diga que terá sido avistado um vulto na zona do cais do Sodré, numa sexta-feira, que correspondia á descrição da lenda B.P.

Drogas e bebida a mais não? Se sim AJUDA?

A nossa única droga são as línguas de veado do Continente. Vendo bem acho que precisamos de ajuda quanto ao Continente.

Há uma querida (música) neste album?

Somos bastante poligâmicos com este album. Cada um tem uma que lhe é um bocado mais querida mas no geral gostamos de todas por razões únicas de cada.

Quem costuma ser o “poeta”? 

As nossas composições são um esforço comum, mas há que dar destaque ao Thomas, Miguel e Sala que geralmente são os responsáveis por grande parte do trabalho lírico das nossas músicas.

 

 

SET LIST:

  • Conversas repetidas

  • Brad Pintas

  • Idalina

  • Grilo do nilo

  • Quando a maldita

  • Salamandra

  • Gansão

  • Tanto faz

  • Domingueira

  • Dança de sabão

  • Calafrio

  • La maluco

  • O que há por cá

  • Pistoleira

Membros:

  • Gonçalo Bicudo – Baixo

  • João Sala – Voz e teclado

  • Miguel Barreira – Voz e guitarra

  • Luís Ricciardi – Guitarra e teclado

  • Thomas Oulman – Bateria

  • Diogo Rodrigues – Bateria

 

NOVO DISCO COMPLETO:

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