Lose Yourself Here

Impulso Fest – A Primazia da Qualidade no dia 23 de Maio

Numa primeira tentativa que muitos anunciaram que poderia ser única, o que já nos foi desmentido pela organização, que afirma que a expetativa e esperança de repetir esta bonita experiência em anos futuros é imensa, as Calda da Rainha demonstraram que sabem receber bem, num local íntimo e oferecer a melhor qualidade de som possível para o espaço. Foi com a coordenação de dois docentes, Nuno Monteiro e Tiago Sábio que os estudantes da Escola de Som Arte e Design das Caldas da Rainha edificou aquele que foi um festival único.

O centro da Juventude das Caldas da Rainha foi não um mas os três palcos do Festival, posicionados de forma a que, se a meteorologia não fizesse das dela, poderiam estar dois palcos em simultâneo, um interior onde a envolvência se misturava harmoniosamente com a acústica (secundário- Palco Black Box) , outro na zona exterior do Centro onde couberam centenas de estudantes, amigos, professores e curiosos como nós (palco Principal), onde tenho de enfatizar a impressionante qualidade de som. Na realidade não é de estranhar visto que foi uma das melhores escolas de produção musical que organizou o evento! Apesar disso, como sempre em Portugal, o apoio é sempre mais teórico do que prático e financeiro e por isso há que dar os Parabéns a quem os merece! Finalmente, o Palco Lounge posicionava-se humildemente entre os dois palcos maiores, mas de forma destacada ocupando sempre o tempo onde o palco principal se preparava de música diversa do DJing ao velho e puro Blues Rock.

Finalmente, no dia em que fomos, o primeiro e com melhores condições meteorológicas, dia 23, foi também de uma curadoria extraordinária no que tocou à escolha das bandas. Focando-nos no palco principal, vimos convidados que dão destaque ao instrumento no seu estado mais puro como poucos conseguem em Portugal, desde dos Bruxas/Cobras que fazem uma belíssima combinação apenas fazendo o baixo e a bateria coordenarem um Drum&Bass totalmente diferente da habitual batucada de discoteca; à menina bonita da Spring Toast Records, Calcutá que prezou pela simplicidade e nos levou ao mundo mais terno do psicodelismo cantado no feminino; regressando ao instrumental, do mais bem conseguido em Portugal, e um ex-aluno que deu um bonito discurso de agradecimento à organização Memória de Peixe, que nos mostrou um pouco de um universo em que a guitarra acompanhada de dezenas de pedais criam todo um universo paralelo; e terminando com Filho da Mãe, um dos melhores (melhor?!) guitarrista de guitarra acústica em Portugal, que nos trouxe recentemente “Água-Má”, e nos encantou com a facilidade com que se relaciona com a sua querida, ao mesmo tempo que transmite uma tranquilidade e emoção muito semelhante à música que toca, um daqueles espetáculos que há que ver uma vez na vida, e quando acontece se deve respeitar com o máximo silêncio o que nem sempre foi verdade nas Caldas, com pena nossa. O dia acabou como tinha de ser. Com um grande estrondo com os quatro PAUS do costume, a partirem uma bateria siamesa até à total separação dos corpos, equilibradas com um baixo de um lado e um teclado do outro. O disco a apresentar foi “Madeira” que anda na moda por todas as boas razões, visto que não só foi inspiração do último álbum dos PAUS, que não só é um disco como também é um video-vinil, e apresentaram parte dessas gravações enquanto nos envolviam nessa bonita homenagem à ilhas e às suas gentes e sítios.

Sinceramente, fomos convidados para este bonito dia acabando por não pagar o bilhete. E deve ter sido a primeira vez que me senti verdadeiramente mal por isso, porque os 10 euros que se deixavam à entrada para ver o que vi não são suficientes nem para sustentar o espetáculo que vi de forma a recompensar a qualidade, com isto quer dizer, que teria pago isso por cada concerto que vi. E estas coisas devem-se dizer. Temos a mesma vontade que a organização de que para o ano haja mais. Mais Festival, mais público, mais banda e mais apoio a estas bonitas e muito altruístas iniciativas.

PS: Props para o Snack-Bar “Os Queridos” que têm as melhores bifanas da região, outro para as Sandes de Codorniz vendidas dentro do recinto!

À SuperBock agradeceremos por cobrar apenas um euro por imperial!

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