Lose Yourself Here

Música para Surdos

Hoje acordo num planeta sem cor, a preto e branco. Sem sol, sem chuva. Sem vida. Tudo morreu.

Aparentemente,

Redes sociais cheias de vida! As pessoas continuam bem vivas! Afogadas em selfies mostrando ao mundo como é bom comer peixe cru. Continuam a pôr a língua de fora e abanar a cabeça para os telemóveis como se tivessem transformado em pombos. Mostram o corpo em troca de apalpões virtuais. O Sonho, é um fiat 500 como primeiro carro ou um Mercedes do tamanho do seu ego nos trinta. Os penteados com quantidades industriais de laca são hoje mais usuais em homens do que em idosas reformadas, realizados em locais nos quais só quem tem um “saquinho” com testosterona é que pode entrar. Vamos todos aos mesmos sítios dançar e ouvimos todos a mesma música. Viajar? Porque não todos às mesmas ilhas? Somos uns ratinhos num laboratório gigante vivendo a ilusão de liberdade.

Estou com medo… de tudo. Somos pequenos sabem? Não há muito que possamos fazer. Acordamos, bebemos café, depois sobrevivemos até ao próximo café já no dia seguinte. Precisamos de estar activos, é assim que conseguimos algo, só assim “funciona” e só assim temos uma vida boa certo?! Temos que fazer sacrifícios, muitas vezes libertar-nos até daquilo em que realmente acreditamos para conseguir algo maior. Dinheiro. Dinheiro. Dinheiro.
Queremos reconhecimento, só assim a nossa vida faz sentido. Carros, prémios, palmas. O que interessa é reconhecimento.

Sozinhos? Nunca. Parados só com a nossa cabeça a navegar? Nunca. Precisamos de trabalho, de conversas, de copos, de passear, ver filmes, ler.

Precisamos de ser ouvidos constantemente porque senão nada faz sentido. Mas será que ouvimos alguém?

Iguais ou diferentes.. Carnívoro ou vegetariano. Bem ou mal. Clássico ou moderno.

Sociedade. Estupidez.

Categorias e gavetas, temos imensas. Escolham a vossa, senão nada serão…

É fácil criticar, demasiado fácil. Eu por principio gosto de criticar. Mas é mais fácil estar calado, não vá a nossa opinião ser criticada, não vá o mundo cair-nos em cima e encontrar-nos em solidão. Não queremos isso, sozinhos nunca. Não vale a pena arriscar, criar tamanho turbilhão junto daqueles que nos amam. Amigos e familia, impossível de criticar… Criticar os que não conhecemos, como sem os conhecer? São tudo suposições e diga-se, quantas há que estão erradas? Não vale a pena o risco, não vale a pena ser diferente. Tudo tem uma razão de ser, mais vale seguir o caminho em vez de criar algo novo. Já experimentaram ir pelo meio do mato sem um trilho aberto? É uma chatice, só picos e merdas.

No meio desta confusão, qual é meu objectivo?

Sinto-me perdido, desencaixado. Dou por mim com mais uma insónia noite fora. Não sei estar tranquilo. Não valorizo, não aproveito. Tudo sabe a pouco. Sinto-me desligado. Não sei quando começou tudo isto, mas sei no entanto que estou assim. Não sei o que fazer ou sentir. Não sei a que me agarrar. O melhor é fugir.

Fujo. Para bem longe. Onde ninguém me conhece. Onde posso recomeçar tudo, onde posso ser aquilo que eu quiser. Onde posso ser Eu. Levo só uns phones, uma Máquina fotográfica numa mão e uma musa noutra. Levo tudo então.

Reconstruo-me. Renasço.

Uma pequena utopia, não podemos viver assim infelizmente, mas recarregamos as nossas baterias. Voltamos, está tudo igual. Todos continuam convictos da sua liberdade, das suas ideias. Eu talvez iludido esteja também. Mas será que ter esta pequena noção não faz de mim um pouco mais livre?

Esta viagem, deu-me incertezas, deu-me bases. Há que ser selectivo em relação ao que ouvimos, seja de quem for. Seja de que artista for. Por isso, escolhi ouvir o que me interessa. Escolhi também abrir um pouco mais da minha cabeça.

Escolhi pronunciar-me. Escolhi criticar, retratar o que vejo, como vejo.

O que ouço, como ouço.

Não sei me fiz entender, e quem está à espera de um artigo sobre um artista ou sobre uma vaga musical pode esquecer…

Decidi escrever uma música, porque a música é aquilo que nós quisermos, é algo que nos faz acordar para a vida, e eu, a seguir a mais uma insónia acordei, e vi tudo com mais clareza. Depois de tanto barulho fui invadido por este Silêncio. Escolhi a minha música, os meus amigos, os meus sítios e tudo parece nítido, seja feio ou bonito.

E sinto revolta, revolta por quem faz tanto barulho e não diz nada. Por tantos que criticam sem construir. 

Partilho esta música de apresentação com o intuito que no futuro quando me ouçam ou leiam, saibam quem sou e no que acredito. Deixo-vos uma pequena visão do mundo com base na música que ouvi. Escolham bem a vossa música, os vossos phones, o vosso instrumento, e acima de tudo, a vossa musa.

“Destiny is a feeling you have that you know something about yourself nobody else does. The picture you have in your own mind of what you’re about will come true.”

Bob Dylan

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