Lose Yourself Here

NOS Primavera Sound : Os Nossos Favoritos

Já não falta muito para que o frio, a chuva e os dias cinzentos invernais deixem de ser uma constante preocupação. Assim, teremos de esperar até ao dia 20 de março para que a primavera, contando com a ajuda do sol e com o desabrochar das flores, se afirme incontestavelmente.

Mas a data do equinócio interessa apenas aos que seguem o mundo da astronomia porque, para aqueles que seguem atentamente um outro universo – o musical –, a primavera terá o seu começo «oficial» no dia 7 de junho no Parque da Cidade, no Porto, com o início do NOS Primavera Sound.

O festival, que é o homólogo português do festival Primavera Sound (que se realiza anualmente em Barcelona), tem contado, desde a sua primeira edição – realizada em 2012 – com talentosos artistas e reconhecidos grupos musicais, oriundos das mais diversas áreas musicais da música «alternativa». E este ano não é exepção.

Assim, sem mais demoras, a Just Musically Speaking dá-vos a conhecer uma breve lista de recomendações e expetativas musicais encabeçada por alguns dos artistas que, de 7 a 9 de junho, irão celebrar a primavera musical na Invicta.

ARTISTAS:

TYLER THE CREATOR

O melhor concerto da minha vida foi aquele que não chegou a existir.

Estavamos em maio de 2017 quando Tyler The Creator, sensivelmente a menos de dois meses do festival Super Bock Super Rock, decide cancelar toda a sua digressão europeia, que seria realizada ao longo de todo o verão de 2017. Assim, para desgosto do meu coração (e dos restantes fãs do músico), o concerto de Tyler no Parque das Nações foi cruelmente «cancelado» pelo próprio. No entanto, um ano depois, o rapper norte americano é novamente  confirmado no NOS Primavera Sound e a minha esperança em experenciar um espetáculo de Tyler The Creator renasceu.

Apesar de ter ganho o devido reconhecimento com os seus três primeiros álbuns («Goblin»; «Wolf» e «Cherry Bomb»), parece-me seguro afirmar que Tyler The Creator consolidou, de uma forma límpida e absoluta, a sua posição no mundo do rap/hip-hop alternativo através do seu quarto projeto – o LP «Flower Boy» – , um dos melhores frutos musicais colhidos no ano de 2017.  Estamos a falar de um projeto que só não arrecadou o grammy de «Best Rap Album» porque Kendrick Lamar decidiu lançar o título «DAMN.».

Quem conhece o trabalho de Tyler, facilmente entende as minhas palavras e percebe o porquê da sua vinda a Portugal ser tão apreciada e esperada. Quem não conhece, devia passar a conhecer… porque musicalidade do Tyler – que é  bastante influenciada, numa análise geral e abstrata, por correntes «jazz», «soul» e «R&B» – deve ser aprofundada e escutada até ao mais ínfimo pormenor.

 

GRIZZLY BEAR

Há muito que este grupo norte-americano é (re)conhecido pelos amantes musicais que exploram não só a onda indie-rock, como também os outros «sub-géneros» que o universo da música alternativa se habilita a construir, tais como, por exemplo, o indie-folk, o folk-rock ou o pop-psicadélico, entre outros.

A banda, que foi criada no já «longíquo» ano de 2002, bem se pode orgulhar de todo o seu portefólio musical já que, em 14 anos de atividade (o primeiro LP da banda – «Horn of Plenty» – foi lançado somente em 2004), deu-se ao luxo de «lançar» seis projetos, todos eles muito bem recebidos pela crítica.

O último, lançado em 2017, é o LP «Painted Ruins» e é – como é que se diz?… – uma autêntica obra de arte. (Uma «obra de arte» que ficará muito bem exposta no Parque da Cidade no dia 8 de junho. ) O último álbum da banda corresponde àquela espécie de «projeto musical» que, devido à complexidade e à criatividade que apresenta, pode ser decomposto em diferentes e várias camadas musicais. No entanto, reparar nessas mesmas estruturas desconstruídas é um exercício extremamente complicado devido ao facto de nós, «humanos», possuirmos «apenas»  dois ouvidos. Acredito que essa capacidade de criação musical, que tão bem caracteriza o percurso dos Grizzly Bear, é, porém, mais perceptível ao vivo: aí, através dos nossos olhos, habilitamo-nos a assistir ao projeto criativo puro.

Apesar do mesmo concerto servir como uma apresentação «tardia» do último projeto do grupo, o evento musical também servirá naturalmente para o público português matar saudades dos êxitos, já mais antigos e ouvidos (mas eternamente apreciados!) de Grizzly Bear, tais como «Yet Again», «Two Weeks» ou «Ready, Able».

NICK CAVE AND THE BAD SEEDS

O regresso do músico australiano e dos seus «amigos» ao Porto está marcado para o dia 9 de junho. Cinco anos depois, o grupo Nick Cave and The Bad Seeds regressa ao mesmo sítio onde já havia estado e onde já havia, certamente, deixado muitos dos seus fãs realizados… ao Parque da Cidade, no Porto. Na altura, em 2013, Nick Cave aproveitou a sua vinda à cidade Invicta para apresentar ao público português o LP «Push The Sky Away» lançado pelo seu grupo no início do mesmo ano.  

Três anos depois, porém, a vida de Nick Cave sofre um duro revés: perde o seu filho Arthur, de apenas 15 anos, numa tragédia que envolveu inconscientemente uma ravina e uma consequência desastrosa. «Skelenton Tree», lançado no mesmo ano, ainda que tenha sido começado a ser produzido e pensado muito antes desse evento traumático, ficou eternamente marcado pela tristeza e pela mágoa que Nick Cave certamente sentiu ao finalizar o mesmo projeto.

O próprio artista já «garantiu» que tentará sempre afastar a memória desse evento negro dos seus concertos, de modo a não «prejudicar a felicidade dos seus fãs» – é uma postura, sem sombra de dúvida, nobre e que envolve um pesado sacrifício. Daí que considero que o concerto de Nick Cave and The Bad Seeds será mesmo imperdível, visto que será uma oportunidade única de assistir ao que a «música ao vivo» tem para oferecer: um músico, verdadeiro, talentoso e sincero a estabelecer uma relação íntima de compreensão e de proximidade com os seus fãs. A não perder. Mesmo.

NILS FARM

O músico alemão regressa ao Portugal para apresentar ao público português o seu mais recente álbum, «All Melody» (lançado já em 2018!) Para quem não conhece Nils Farhm, cumpre referir que o artista em questão é justamente um daqueles que prova incontestavelmente que a música «eletrónica» (para a desilusão de muitos «botas de elástico» que por aí andam…) é exatamente isso… «música».

Ao longo da sua carreira, que já leva 13 anos, Nils Frahm tem conseguido sempre alcançar o seu objetivo: conjugar a sua paixão pelo piano e pelas composições clássicas com o modernismo musical que tão fortemente tem marcado o século XXI. O alemão alcança essa fusão através dos vários instrumentos musicais que domina: instrumentos esses que vão desde o piano «clássico» até aos «atuais» dispositivos de teclas eletrónicos: cumpre referir o Roland Juno-60, o Rhodes, ou o Roland RE-201 (entre tantos outros!)

Estamos a falar de um artista que aprendeu a tocar piano com um dos últimos discípulos de Tchaikovsky (esse que morava numa localidade perto de Hamburgo, local de residência do então jovem Nils). Sendo um músico cheio de influências «clássicas» (guarda especial «respeito» pelos compositores Chopin, Satie, pelo trompetista Miles Davis e ainda pelo compositor minimalista Steve Reich), Nils habilitou-se a traçar o seu próprio trilho musical. A prova disso são todos os álbuns que o artista alemão tem vindo a criar, a lançar e a partilhar com todos os seus fãs que se perdem na sensibilidade artística do alemão.  

Por tudo isto, o concerto de Nils Frahm será, certamente, especial e criará um ambiente único e etéreo no Parque da Cidade, no Porto.

YELLOW DAYS

Yellow Days – nome artístico do jovem inglês George van den Broek – é um daqueles rebentos musicais que faz com que nós, os «demais», os que se «limitam» a ouvir as suas criações, pensemos naquilo que andamos a fazer na nossa vida e na nossa existência. Ao lado de George, a nossa «pegada» neste planeta é mínima! É que Yellow Days tem apenas 18 anos e, no espaço de dois anos, deu-se ao luxo de lançar um EP («Harmless Melodies») e um LP («Is Everything Okay In Your World?»), este último lançado em 2017.

É até assustador – mas extremamente aliciante – pensar no que é que este «embrião» musical pode vir a fazer ao longo da sua carreira. Atrevo-me a dizer que Yellow Days é um predestinado; é um «protótipo musical» que Deus ainda não tinha revelado aos homens. Os seus projetos têm apresentado sempre, em regra geral, uma criatividade extrema, não só ao nível instrumental – as suas composições são extremamente rítmicas, viciantes e ferozes –, mas sobretudo a nível lírico e vocal – quem ouça a sua voz pela primeira vez, dificilmente vai acreditar que está perante um jovem de «tenra idade». Cumpre ainda mencionar a versatilidade musical de Yellow Days, bem patente em «Is Everything Okay In Your World?», onde o mesmo faz colaborações com o rapper irlandês Rejjie Snow, por exemplo.

Não quero soar autoritário, mas receio que seja obrigatório ver Yellow Days no NOS Primavera Sound.

 

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