Lose Yourself Here

Uma Tarde Bem Passada com Benjamim

Foi numa sexta-feira como muitas outras na qual a cabeça pesava mais do que o habitual que a equipa do Musically Speaking foi visitar a São Domingos de Benfica, local de nascimento de muitos e o pouso de Benjamim que depois de alguns anos como Walter Benjamim a viver em Londres se mudou com tudo para o País que o viu crescer. De Walter leva apenas Benjamin e pouco mais. Luís Nunes, nome no registo, é um dos músicos mais respeitados em Portugal muito devido também aos seus trabalhos de produção de bandas como You Can’t Win Charlie Brown e sem duvida muito versátil. Começou por se lançar com a Língua de Camões depois de sempre ter escrito em Inglês, mesmo quando petiz, com “Auto-Rádio” e é com a colaboração com Barnaby Keen no álbum “1986” quem tem andado a correr o país.

Quinta-Feira foi no Musicbox. Há uns meses foi em Sines. E por qualquer lado que esta dupla passe a festa é garantida, os refrões serão entoados alto e bom som e a dança será constante. Afinal não “É melhor dançar que disparar” ?? Todo um disco com uma forte mensagem de apoio aos refugiados a qual Benjamim  acredita ser parte essencial para a passagem de testemunho da responsabilidade cívica e social de um artista. “Isso de não se misturar política com musica é treta… Se há uma mensagem que achas importante passar tens de a passar independentemente do resto”. 

Com “Auto-Rádio” quis desde da primeira música “provocar os fãs de Walter Benjamim” de forma a demonstrar não só a sua versatilidade como também mostrando os possíveis caminhos no futuro. “Quero fazer um álbum de Rock. Um ao piano. Outro mais acústico. Não tenho nenhuma barreira criativa que me impeça de o fazer.” A cada frase Luís parece-se mais com um mensageiro musical que já passou por muito e por isso muito tem para contar. Cada história sua de backstage dá-nos vontade de ter lua estado. Uma verdadeira estrela, não pelos excessos e loucuras, mas sim pela saudável abordagem de certa forma bohemia a um Mundo que hoje em dia faz pouco sentido. 

As suas maiores influências provêm daquelas a que chamei de “Boys Bands dos 60”, algo que deixou o Luís extremamente desconfortável devido a considerar que estas foram as bandas que marcaram a história da música contemporânea. Peguei no meu orgulho e meti-o no saco. O Luís tem razão. Não fossem almas como estas e a música Pop hoje em dia estaria ainda a descobrir muitos caminhos. No restaurante onde costuma ir, “Luz Ideal”, as frases dos profetas dos Beatles repetem-se quase tanto nas paredes como em música de fundo. 

A B Fachada tem a humildade infindável de lhe reconhecer o maior talento Português, frase com a qual me apressei em concordar. O tema prolongou-se e a relação entre estes dois tem tanto de música como de pessoal. Como aqui só nos interessa a primeira, é de notar que já escreveram alguns arranjos para música Portuguesa juntos, os quais decidiram não revelar ao público por agora. 

De momento foca-se principalmente em Benjamim. Para Luís é mesmo a sua carreira a solo que ultimamente o tem deixado mais motivado e por isso é a ela que tem dedicado maior parte da sua inspiração. Apesar disso, o tempo não se decide por inspiração, e tem vindo a dedicar mais tempo a projetos de produção que não são seus. É de esperar um álbum num futuro próximo que será diferente do que estamos habituados, pois é na diferença que Benjamin vai existir. E decerto, se continuar a conseguir a qualidade musical e lírica, neste nossa Lingua de Camões, que tem vindo a apresentar enquanto Benjamim, de admirar será se não temos pela frente uma das carreiras na música alternativa Portuguesa mais proeminentes. 

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