Lose Yourself Here

TIPO – “Novas Ocupações”

TIPO materializou-se hoje pela primeira em formato álbum e não podíamos estar mais contentes com esta notícia. Tínhamos vindo a ouvir algumas amostras muito prometedoras que não foram tímidas em também aparecer na rádio. Tudo isto poderia parecer raro, não fosse o TIPO o projeto a solo de uma cara já nossa conhecida. Salvador Menezes, dos You Can´t Win Charlie Brown trouxe consigo Afonso Cabral e a sua guitarra acústica de aço que já nessa banda soa a muito mais do que qualquer outra acústica, o experiente e talentoso Tomás Sousa na bateria que também toca com Francisca Cortesão nos Minta e finalmente, o homem do momento, Benjamim que anda a popular os Tops nacionais frequentemente desde do seu último álbum na nossa Língua “1986”.

Foi com surpresa que me deparei com “Acção-Reacção” pela primeira vez, uma abertura de álbum de certa forma épica o suficiente para nos transportar para este novo Universo progressivo e sempre inovador que o Salvador nos propõe. Este é um Mundo que nos soa de forma quase inevitável a YCWCB, com uma forte componente de Salvador que aqui demonstra o espectro abrangente da sua voz sempre balançando entre o grave e o obscuro que com a lividez instrumental acaba por nunca o ser.

Um tema que tem sido recorrente nos últimos tempos tem sido o plágio também aqui abordado e decerto anteriormente aos escândalos do Festival da Canção onde uns aparecem enxovalhados em praça pública por plagiar enquanto outros ganham o Festival com plágio… Mas palhaçadas à parte esta não poderia ser uma melhor explicação do que é este fenómeno do plágio. Com “Confesso” o TIPO revela de forma descontraída uma música inspirada pelos quatro génios que inspiraram Salvador nesta mesma obra: Gainsbourg, Cohen, Bowie e McCartney. Verdade seja dita a canção tem muito de “Space Oddity” com a voz sempre dark de Cohen (a de Salvador pode ser vista como a voz Cohen Tuga) uma melodia de ficar no ouvido como as do Paul e um lirismo brutal e necessário como o do Serge. Uma pérola que se ostenta na segunda posição do álbum.

Uma das fortes marcas do álbum é um constante contrastar de ritmos e melodias que coloriram o mesmo de forma quase esquizofrénica e, lá está, experimental que motiva sempre o ouvinte a querer perceber melhor a identidade desta nova personagem do panorama nacional, como podemos ouvir no ritmo quase que binário de “Desfecho” com um começo quase clerical que evolui para coros não menos celestiais mas muito mais animados. Algo que já não sucede na canção seguinte, “Novos Ofícios” que pegando na profundidade da voz de Salvador vai protagonizar por ser uma bonita canção de embalar. Qualquer bebé sabe que seria um sortudo em ter um Salvador a cantar-lhe esta canção para adormecer.

Foram 3 anos que passaram desde do dia em que o Salvador resolveu tirar uma semana e meia de férias para dedicar somente à sua música e destes nasceu este conceito. Porque mais do que um álbum temos a certeza que temos aqui um novo protagonista que decerto vai ser parte dos cartazes como os YCWCB sempre foram. Não são muitos os que conseguem este afastamento e que esta produção mais a solo acabe por se revelar bem sucedida mas Salvador soube fazê-lo não só por introduzir muita personalidade no trabalho mas também pela inovação e experimentalismo que vai imprimindo em cada uma das dez peças deste primeiro puzzle.

Capa do Álbum “Novas Ocupações”

Este experiemntalismo está particularmente presente nesta segunda parte do álbum começando na “Querela das Vizinhas” onde a guerra é tanto entre vizinhos como na harmonia que tende a destoar. Um refrão que aparece sem ser pedido mas na altura mais do que perfeita encabeça de forma assente esta revolução que tem o seu Apogeu em “Autocomiseração do Desempregado” a minha favorita do álbum exatamente por “Estranhar e depois entranhar” de forma genial. Um ato futurista digno.

Acabamos com “Artigo Indefenido” que é como acabamos por ficar com este trabalho. Um TIPO complexo e que só baseado nesta última peça faz qualquer amante da música querer saber mais sobre ele. E para isso há que ouvir. Uma, duas e três vezes e entender que acima de tudo o TIPO não esta para brincadeiras e nós gostamos. Queremos ver mais disto.

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