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Tremor – Ou Quando a Ilha é o Recinto

Um Festival nem sempre tem um tema. Raramente toma em conta a sua localização na curadoria e muitos menos puxa pela comunidade para fazer parte do mesmo. E mesmo assim a presença do artista, com amigos para partilhar a experiência e uns quantos copos de plástico a acompanhar fazem a noite. Agora imaginem se o festival se quisesse incorporar na sua geolocalização, enquanto motiva a sua população e tem todo uma mensagem a transmitir? Com o Tremor já tivemos quatro forte exposições do que esta última aproximação ao que pode ser um festival pode não só ser sustentável como obviamente se torna uma experiência muito mais especial. Apesar disso, à conversa com António Pedro Lopes, confessa “Somos pobres ahaha, ainda só esgotámos uma vez!” apontando para a ainda falta de recursos económicos para poder explorar completamente esta magnifica ideia ao seu máximo potencial.

 

O recinto deste festival é limitado pelo mar em vez daquelas vedações metálicas sem alma. Os palcos integram o quotidiano da ilha de São Miguel entre a Ponta Delgada e a Ribeira Grande. E os curadores são nascidos ou enraizados nas mesmas. E com o alinhamento destas componentes há uma mensagem a passar e a de este ano não podia estar melhor enquadrada na atualidade da nossa sociedade. Género. E falta dele. Ou melhor da relevância de discriminar qualquer género porque de acordo com António Pedro Lopes, co-fundador do Tremor,O que nos interessa são as pessoas, a mensagem que querem passar através da boa música que trazem”. Para isso convidaram um elenco de luxo encabeçado por um nome tão monstruoso como Mykki Blanco, um rapper progressista que tem em vista desafiar todas as barreiras na música e nas nossas cabeças por vezes demasiado fechadas.

O nome também não foi deixado ao acaso. Cansado de ver a sua terra natal ser sempre conhecida pelos infames sismos é com orgulho que agora vê o nome do festival subir mais alto que esses mais temíveis tremores. Para ter a certeza que o abalo seria mais forte do que o sísmico, convidou no total 50 artistas das variadas categorias das artes visuais como a fotografia e o cinema e passando obviamente pela música sendo uma das curiosidades deste festival que a motivação dos artistas para atuar no festival é tão grande ao maior que a dos festivaleiros de os ver, pois muitos são os que vêm para apreciar a pérola perdida no meio do Atlântico e passar uns dias de merecidas férias.

No primeiro ano o Tremor durou um dia. 24 horas em que a ilha abanou com uma vibração mais concentrada mas com bastante intensidade. Nesta que é a quinta edição dizem que o tremor acompanha e dura cinco dias. De 20 a 24 de Março.

Foi com o programador cultural da ilha Luis Banrezes que tudo começou e passado um mês da ideia sair do forno veio a aliança com a Lovers and Lollypops que tem vindo a provar ser muito bem sucedida com um festival a ser cada vez mais relevante e a atrair Media de todo o Mundo a este pequeno e precioso pedaço de terra onde os Boogarins vão tocar no mesmo dia que os Dead Combo no Teatro Micaelense (24). E como todos os detalhes acima este também não foi deixado ao acaso. De acordo com o António o elenco a convidar nasce de uma conversa onde cada um puxa pelos nomes que quer ver para passar esta mensagem comum e os que trazem consenso são os possíveis convidados.

Com a lotação máxima de 3000 pessoas o Tremor não invade a ilha de alguém ficar incomodado mas decerto enche de vida todo e qualquer ponto de encontro desde do posto dos correios aos cafés que se enchem de artistas, festivaleiros e locais que se preocupam em mostrar aos convidados o melhor que a ilha tem para mostrar. É com pena minha que não poderei ser um dos 3000 felizardos mas enquanto Musically Speaking desejamos a todos um ótimo festival e agradecemos ao António pela conversa que me fez admirar ainda mais esta iniciativa única no Mundo.

Mais do que um festival, uma experiência única num local paradisíaco curado e preparado até ao último detalhe por aqueles que melhor conhecem a região. A prova de que não há “demasiados” festivais em Portugal desde que cada um tenha um propósito tão impactante quanto este. 

 

TERÇA . 20 MARÇO
19h30 . Teatro Micaelense
Levantados do Chão, de Daniel Blaufuks + Banda Lira Sete Cidades
20h15 . Teatro Micaelense
Banda Lira Sete Cidades
20h40 . Teatro Micaelense
Rafael Carvalho + FLiP
22h30 . Auditório Luís de Camões
Três Tristes Tigres
00h00 . Arco 8
DJ Milhafre

QUARTA . 21 MARÇO
15h00 . Local Surpresa
Tremor Todo-o-Terreno: Tír na Gnod
18h00 . Local Surpresa
Tremor na Estufa: Concerto Surpresa
22h30 . Solar da Graça
Mykki Blanco
23h30 . Arco 8
Altın Gün
00h30 . Arco 8
D.WattsRiot

QUINTA . 22 MARÇO
13h00 . Neat Hotel Avenida
Em Conversa com The Creative Independent, moderado por T. Cole Rachel com presença de vários artistas do festival
15h00 . Local Surpresa
Tremor Todo-o-Terreno: Tír na Gnod
18h00 . Galeria Fonseca Macedo . Inauguração
O Narcisismo das Pequenas Diferenças, de Pauliana Valente Pimentel
20h00 . Local Surpresa
Tremor na Estufa: Concerto Surpresa
23h00 . Ateneu Comercial de Ponta Delgada
Sheer Mag
00h00 . Arco 8
The Mauskovic Dance Band
01h00 . Arco 8
Victor Torpedo Karaoke

SEXTA . 23 MARÇO
13h00 . Neat Hotel Avenida
Em Conversa com The Creative Independent, moderado por T. Cole Rachel com presença de vários artistas do festival
16h00 . Local Surpresa
Tremor na Estufa: Concerto Surpresa
21h00 . Teatro Ribeiragrandense
O Gringo Sou EU + EsMúsica.RP
21h30 . Largo Gaspar Frutuoso
We Sea
22h00 . Arquipélago – Sala de Vídeo
Projecção do filme Levantados do Chão, de Daniel Blaufuks + Banda Lira Sete Cidades (em loop)
22h00 . Arquipélago – Serviço Educativo
Julius Gabriel
22h30 . Arquipélago – Cave I
José Valente
22h50 . Arquipélago – Cave II
Paisiel
23h20 . Arquipélago – Black Box
Aïsha Devi
23h40 . Arquipélago – Cave II
Paisiel + José Valente
00h20 . Teatro Ribeiragrandense
Snapped Ankles
01h40 . Teatro Ribeiragrandense
Voyagers
02h40 . Teatro Ribeiragrandense
Bleid

SÁBADO . 24 MARÇO
14h00 . Academia das Artes
Mini-Tremor: Acalanto, de PELE
15h00 . Academia das Artes
Mini-Tremor: Impromptu, de André Melo e Mário Moniz
16h00 . Londrina
Goldshake
16h15 . A Tasca
Fugitivo
17h00 . Auditório Luís de Camões
Som Sim Zero, de ondamarela + ASISM + convidados
17h30 . Raiz Bar
Zulu Zulu
18h00 . Igreja do Colégio
Mal Devisa
18h15 . Out of the Blue Hostel
Gonçalo
18h30 . Ateneu Comercial de Ponta Delgada
Liima
19h00 . Solar da Graça
The Parkinsons
19h30 . Auditório Luís de Camões
Baby Dee
20h30 . Ateneu Comercial de Ponta Delgada
Mdou Moctar
21h30 . Coliseu Micaelense
Dead Combo
22h15 . Lava Jazz Bar
Lava Jazz Quinteto
22h30 . Garagem Antiga Varela (Rua de Lisboa)
Ermo
23h30 . Coliseu Micaelense
Boogarins
(MUDANÇA DE HORA)
01h30 . Garagem Antiga Varela (Rua de Lisboa)
Miss Red
02h45 . Arco 8
Lone Taxidermist
04h00 . Arco 8
La Flama Blanca

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